quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

INTRODUÇÃO À FILOSOFIA (C1): FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: LINKS PARA VÍDEOS

Apesar de ainda faltar um olhar histórico, mesmo agora no século XXI, afirmaremos que a FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA começou no início do século XX. No transcorrer do século XX, a grande maioria dos filósofos fez carreira nas universidades. Por causa disso, atualmente as discussões filosóficas são orientadas pelos acadêmicos. Talvez, por causa disso, a Filosofia se tornou um tanto mais rigorosa; basta lembrar que a FILOSOFIA ANALÍTICA, desenvolvida ao longo do século XX, se apoiou fortemente na lógica e na análise da linguagem, dando origem à FILOSOFIA DA LINGUAGEM.
Para tanto, muitos filósofos contemporâneos criticaram alguns pressupostos da Filosofia Moderna, principalmente o subjetivismo advindo da modernidade.

I - O PROJETO DA MODERNIDADE

A Filosofia Moderna começa com o "cogito" cartesiano. Como visto [ver neste blog "INTRODUÇÃO À FILOSOFIA: FILOSOFIA MODERNA"] Descartes acreditou que o sujeito pensante pudesse ser uma fonte confiável de conhecimento. Ainda na modernidade, David Hume contestou veementemente essa certeza cartesiana, mas foram pensadores do século XIX que aprofundaram ainda mais às críticas ao projeto moderno.
GEORG WILHELM FRIEDRICH HEGEL mostra que as transformações históricas são importantes na formação da consciência. Melhor, as transformações históricas são capazes de moldar a nossa percepção do mundo.
Semelhantemente, para KARL MARX a Filosofia Moderna estava contaminada pelo idealismo, ou seja, estava contaminada pela concepção de que existem ideias puras, tal como pensava Platão.
Já os filósofos do ROMANTISMO não aceitaram a centralidade da epistemologia e da razão na modernidade. Para filósofos como FRIEDRICH SCHELLING (1775-1854) e Nietzsche os filósofos deveriam se desprender da razão e se aproximar mais da imaginação, da intuição e da arte.
Disso tudo, podemos concluir que muitos pensadores não acreditaram numa consciência individual pura, ou numa subjetividade que desse conta da complexidade do mundo. Não por acaso, já no final do século XIX, filósofos como Nietzsche desdenhavam da tentativa de alguns filósofos em sistematizar a filosofia, arrumando-a em um sistema totalmente coerente.
Essa desconfiança com relação ao sujeito, tido como ponto de apoio para o saber filosófico, pode ser constatada por meio de vários pensadores dos séculos XIX e XX. ERNST MACH (1838-1916), físico e filósofo da ciência, afirmou que "Não há salvação para o sujeito". No século XX, JEAN-PAUL SARTRE (1905-1980), filósofo do existencialismo, afirmou que "O homem é uma paixão inútil".
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II - A VITÓRIA DA FILOSOFIA DA LINGUAGEM
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Os ataques feitos contra o subjetivismo fizeram com que os filósofos contemporâneos procurassem um outro ponto de apoio para as discussões filosóficas. Obviamente, esse novo ponto de apoio não poderia sofrer das inconveniências que o subjetivismo trazia. A linguagem surge, então, como forte candidata. Mas por que a linguagem?
Primeiro. Parece claro que a linguagem dá o tom daquilo que podemos apreender do mundo. Podemos "esticar" a linguagem para, por exemplo, desenvolver uma nova teoria; mas não parece crível que possamos estruturar uma teoria fora da linguagem.
Segundo. Por causa desse primeiro ponto, muitos filósofos acreditaram que a dimensão semântica da linguagem, ou o significado, forneceria uma porta privilegiada para se alcançar o mundo.
Terceiro. A linguagem - no sentido das línguas naturais, como o português, o inglês, o espanhol etc. - possui uma estrutura formal, com regras e padrões identificáveis. Podemos chamar a isso da dimensão sintática da linguagem. A força da dimensão sintática está na sua semelhança com certas estruturas lógicas e por, supõe-se, independer do sujeito, não permitindo, assim, espaço para o subjetivismo.




14 comentários:

  1. sou estudante de pedagogia e estou com muitas dificuldades na matéria filosofia você poderia me ajudar mandando por email artigo sobre Descartes
    elianaebela1@hotmail.com

    obrigado

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  2. Olá, Eliana!
    No meu blog há um pequeno texto em que tentei explicar a filosofia cartesiana. O texto possui links para vídeos que podem ajudar no entendimento.
    Faça assim:
    1) No arquivo do blog, vá no ano de 2009

    2) Depois, vá no post "Introdução à Filosofia (C1):Filosofia Moderna".

    3) Por fim, é só ler a "INTRODUÇÃO" e a parte I "RACIONALISMO versus EMPIRISMO".

    Espero que eu tenha ajudado. Se não, pode enviar outra mensagem.

    Bom estudo!

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  3. PROFESSOR OBRIGADO
    SUAS INFORMAÇÕES POSTADAS NO BLOG
    FORAM DE GRANDE VALIA PARA MIM
    ESTOU LENDO E TENTANDO ASSIMILAR
    AS IDEIAS, ESTA SENDO UM POUCO COMPLICADO DE ENTENDER
    O RACIOCÍNIO DOS FILÓSOFOS MAS
    ACREDITO QUE VOU FAZER UM BOA
    PROVA TORÇA POR MIM...
    OBRIGADO
    DEUS LHE ABENÇÕE POR TUDO...

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  4. sou estudante e esse é meu primero ano que tenho filosofia e queria um pouco mais de informaçoes

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  5. Caro (a),
    quais informações você procura?

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  6. sou aluno e tenho uma duvida sobre a Introdução da Filosofia Medieval.queria fica informado

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  7. Caro Marcelo,
    creio que o seu comentário ficou um pouco vago. Se você puder desenvolver mais o seu comentário, creio que poderei ajudá-lo melhor.

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  8. Professor Paulo, preciso muito da sua ajuda em duas questões sobre filosofia.

    A primeira questão é essa: Por que para os filósofos cristãos da Idade Média, a filosofia não é a busca da verdade?

    E a segunda é: Explique com que conceitos Agostinho justificaria o fato de os intelectuais cristãos da Idade Média terem se baseado nas obras de Platão e Aristóteles mesmo sendo pagãos?

    Desde já agradeço se puder me ajudar, é muito importante, poderia mandar para o e-mail marins_c@yahoo.com.br

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  9. Não sei bem se os filósofos cristãos não estavam preocupados com a verdade. Tentando entender a lógica do pensador medieval, eu diria que eles estavam sim preocupados com a "verdade" que poderia ser tirada das sagradas escrituras. No livro de João existe a famosa passagem que diz assim "Respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, a VERDADE, e a vida; (...)". Ou seja, havia a preocupação de se alcançar a verdade. Todavia, obviamente não é a mesma verdade que se pode alcançar com a investigação científica ou com a lógica, na minha avaliação. Lembre-se que, na Idade Média, o conflito entre fé e razão pendia mais para a fé.
    Quanto a Santo Agostinho, é bom ressaltar duas coisas. Primeiro: até aonde eu saiba, Agostinho não conheceu os escritos de Aristóteles. Segundo: Santo Agostinho não via uma forte oposição entre Filosofia Antiga e cristianismo. Para ele, a Filosofia Antiga poderia preparar o caminha para o verdadeiro logos que é, justamente,a doutrina cristã. O problema é saber o que significa esse termo "preparar". No meu entendimento, esse preparar está mais relacionado com está de acordo com a fé cristã e menos com a fundamentação do cristianismo.

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  10. boa tarde,professor paulo! sou graduado em geografia e,mas também estou ministrando aula de filosofia para as turmas do ensino médio,como poderei tornar as aulas de filosofia mais dinâmicas?

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    1. Olá professor Eduardo!
      Antes de mais nada, desculpe pela demora em responder.
      Nunca lecionei para o Ensino Médio; desse modo, minha resposta não é baseada na experiência.
      Creio que o melhor caminho é mostrar como determinadas questões filosófica podem fazer diferença numa situação prática. Uma área da Filosofia interessante para isso seria a Filosofia Moral ou Ética.
      Abraço

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  11. Professor Paulo poderia me ajudar a formar uma introdução para o meu trabalho sobre a FILOSOFIA MEDIEVAL?

    Obrigado!!!

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    1. Caro,
      antes de mais nada, desculpe pela demora.
      Que tipo de trabalho é esse?

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